terça-feira, 22 de dezembro de 2009

"Eu voltei!"


“Eu voltei!”: é o que permanece em minha mente depois da viagem deste sábado, dia 19 de Dezembro.

Não contarei tudo, resolvi compartilhar somente alguns fatos. Existem fatos que vão além da compreensão, muito além da razão e exatamente por isso, certos fatos serão omitidos. Não gosto de deixar ninguém curioso, afinal, eu também não gosto de ficar curioso, mas é somente desta vez.

Viajei com o meu tio, tia e avó na madrugada do último sábado para o município de Mãe do Rio, no estado do Pará. Faz exatamente oito anos que não vou a esta cidade, por isso, pensei que o trajeto até lá ainda fosse tranqüilo. Quando passamos do município de Santa Maria, começou o primeiro “desafio”... Nesse trecho, a viagem se torna perigosa pelo fato de ser uma rodovia em que passa muito caminhão e de não ser pista única.

Passando de Santa Maria, chegamos ao trecho em que se passa pelo município de São Miguel do Guamá. Meu tio, depois que passamos pela ponte da cidade, começou a acelerar e eu não sabia o motivo, já que ele não é de “pisar fundo no acelerador”. Depois que diminuiu a velocidade, ele nos contou que exatamente naquele trecho, tinha sido perseguido por assaltantes em outra viagem. Meu tio contou que viu o cara na garupa da moto sacar uma arma, foi aí que ele deve ter rezado e muito.


Eu não sabia estava desse jeito a situação na estrada, parece o clássico filme Mad Max. E por "falar" nisso: no começo da viagem, eu ficava fazendo piadinha dizendo que estávamos na estrada do Texas (não relacione com o filme), depois do que ele contou, eu ficava falando que parecia coisa do filme Mad Max (depois do sufoco, tudo é motivo pra risada...).

Você não conhece o clássico? Lamentável! Vai até sair o filme da série em 2010, mas acho que será o , pois o 4° foi essa minha viagem... No primeiro filme, Max é um policial rodoviário em um futuro infestado de gangues que dominam as estradas. Nesse filme, uma gangue mata sua esposa e filho, então Max sai caçando membro por membro da gangue na estrada, em busca de vingança. Mas sobre o filme, fica pra próxima.

Só ficamos tranqüilos quando chegamos ao município, não dava pra parar de pensar em armadilhas no meio da estrada, já que o posto mais próximo da Polícia Rodoviária Federal fica perto de Mãe do Rio. Pensa que estou exagerando? Que sou medroso? Senti medo, mas não estou exagerando. Como você se sentiria viajando em uma estrada deserta e com a possibilidade de ser vítima de assalto? Já pensou ficar na estrada, sem nada, sem socorro? Isso se alguém sobrevivesse pra contar história...

Falei com parentes que não via faz tempo e isso foi muito bom! Eu gosto de pessoas simples, elas têm muito a nos ensinar. Antigamente, lá era muito tranqüilo, mas o crime cresceu na região, com a chegada do tráfico de drogas. Isso acontece e muito em várias cidadezinhas do Brasil, quando um fugitivo da justiça se instala nesse tipo de cidade. Sem trabalhar (já que o trabalho nesse tipo de cidade é pesado e pouco remunerado), o criminoso resolver traficar drogas, o que é uma forma de ganhar dinheiro mais fácil, rápido e sem muito esforço. O tráfico chega e traz consigo uma série de problemas. Não sei lhe dizer que tipo de punição um traficante merece, mas também deveria ser aplicada uma severa no corrupto, este que faz com que tudo tenha início.

É triste você ficar sabendo que em uma cidade pobre, já estão traficando até crack! Que perspectiva alguém que vive lá pode ter? Se nós, que moramos em cidades desenvolvidas, em capital, já sofremos com esse "câncer" da sociedade, imagine quem vive em um lugar onde parece que não existe lei? Engraçado, parece que Lei e Justiça é uma utopia... Pensa que eu sinto prazer em escrever sobre isso? Infelizmente, é a porcaria de realidade em que vivemos.

Procurei deixar de pensar no que tinha acabado de saber sobre a região, procurei relaxar. Depois de entregar alguns presentes para uns parentes, fomos deixar nossas coisas (roupas e tudo o mais que sempre se leva em uma viagem...) na casa de outro parente, que fica em um balneário. Eu fiquei conversando com o meu tio no igarapé. Tomar banho lá é muito agradável, água sempre gelada pra amenizar o calor. Quem passa na estrada, lá de cima, da pra ver o igarapé.


Depois de tomar banho e comer, fiquei observando meu tio tocar no violão algumas músicas, como: “Losing My Religion” (R.E.M), “Jealous Guy” (John Lennon), “Yesterday” (Paul McCartney), “Wish You Were Here” (Pink Floyd), “Stairway to Heaven” (Led Zeppelin) e “Wild Horses” (Rolling Stones). Foi muito bom.

Outro fato: a natureza daquele lugar esconde vários perigos, é preciso sempre tomar cuidado. Como é comum ouvir sobre ataques de sucurijú (ou sucuri, no local a espécie é chamada de sucurijú), uma cobra que geralmente chega a ter 5m até 7m, mas também pode atingir 12m. Esse tipo de cobra é capaz de devorar jacarés e até capivaras... Eu já vi uma dessas regurgitar um bezerro. Em alguns lugares não é recomendável tomar banho, principalmente próximo da mata densa/fechada, onde geralmente elas vagueiam. Desta vez, eu vi um cachorro ser arrastado por uma para dentro do igarapé, mas, teve como salvar o coitado, eu garanto.

Depois desse “susto”, fomos até a casa de outro parente, que fica próxima ao balneário. Antes do jantar, meu tio lembrou que tinha deixado o remédio que deve tomar meia-hora antes das refeições no balneário. Tivemos que ir lá por volta de 22h00min.


Minha tia e avó ficaram jantando, enquanto fomos ao balneário, agora, pense em uma estrada deserta e sem iluminação... A pouca iluminação que tinha, era a dos faróis do carro. Nesse momento, só tocava músicas como: “Highway To Hell” do AC/DC e “Iron Man” do Black Sabbath em minha mente, isso era involuntário. Lembrar da introdução da música “Iron Man” naquela escuridão, foi sinistro. Depois de pegar o remédio, tivemos que ir deixar algumas coisas em outra casa, essa, muito mais macabra. Escuridão, frio e silêncio: parecia mais um episódio do seriado Supernatural (Sobrenatural), mais uma aventura dos irmãos Winchester.


Se fosse só isso, ainda tínhamos que nos preocupar com possíveis assaltantes na área. Lembro que quando chegamos à cidadezinha, passou um carro preto muito parecido com o dos irmãos Winchester, até fiz piadinha sobre isso: “Tio, a situação deve tá pegando por aqui, até os irmãos Winchester estão no local”.

Depois que jantamos, retornamos para o balneário, já que estava todo mundo cansado e precisávamos dormir. Chegamos meia-noite, colocamos as redes e tudo estava pronto pra dormir. Quando minha avó ligou pra casa, ficou sabendo que minha mãe tinha ido ao hospital devido uma crise de asma, meu tio também é asmático. Quando fiquei sabendo do acontecido, já não consegui relaxar, fiquei muito preocupado e com vontade de voltar pra casa. Fiquei tentando me distrair olhando para pista ao longe, mas nem isso, já que aquela escuridão e o silêncio me deixavam mais nervoso.


Fiquei pensando na possibilidade do que estaria andando por lá, esperando a oportunidade de atacar alguém. Digo isso, pois lembrei que mais cedo, o meu tio (o que reside em Mãe do Rio) contou que existia o boato de pessoas que moravam longe da cidade e que elas, praticavam feitiçaria. Por mais cético que você seja, fica difícil não acreditar em certas coisas, ainda mais quando você se encontra em um lugar totalmente macabro de noite.


Ainda tem a questão de um jovem que estava espalhando o terror por lá e que, roubou e matou quatro pessoas, mas foi preso recentemente. Ele é uma pessoa extremamente fria e cruel, já tentou matar o próprio pai e irmão com uma faca. Ouvindo mais e mais sobre o caso, fiquei sabendo que o pai também é uma pessoa violenta. Ainda me falaram que um ancestral da família desse criminoso, ele morava dentro da floresta e que era praticante de feitiçaria (ou magia negra, como você quiser...). No dia em que esse criminoso foi preso, ele disse que voltaria e se vingaria de algumas pessoas da cidade... Parece roteiro de filme de terror, não é? E eu queria que fosse apenas isso.

Não conseguia dormir com a luz ligada, já que estávamos dormindo fora da casa. Nunca aconteceu algo lá no balneário, mas isso não me deixou tranqüilo. Desliguei tudo, preferindo ficar no escuro, evitando a curiosidade de estranhos.

Fiquei tentando me distrair, pensando em coisas boas. Lembrei até de uma guria especial, fazendo com que realmente eu ficasse calmo. Acordei três vezes durante a madrugada, mas quando finalmente consegui dormir, acordei no susto! Aconteceu algo, que eu não poderei contar aqui, pois, é bastante pessoal e envolve outras pessoas, seria uma falta de respeito. Mas o que eu pude presenciar, não irei esquecer. Existe muita coisa estranha neste mundo, quando achamos que sabemos de tudo, acontece algo do tipo, é como se fosse um tapa na face da razão e do bom senso. Tal fato deixou o meu tio nervoso, depois de ter acordado de um pesadelo e ter presenciado o mesmo que eu. Sei que existe um significado no que aconteceu, também, existe o fato de que me foi revelado algo sobre um parente que faleceu faz muito tempo. O que aconteceu, eu só posso rotular como sobrenatural.

Ninguém mais conseguiu ir dormir, foi quando o meu tio teve uma pequena crise asmática. Ele decidiu que era melhor ir embora, pois tinha “perdido o clima”, assim como eu. Eram duas horas da madrugada, ainda estava muito cedo pra seguir viagem, então decidimos arrumar tudo e ficar na casa de outro tio, “matar” o tempo e esperar até que o ponteiro marcasse quatro horas. Quando chegamos à casa de meu tio, tomamos café e tivemos uma breve conversa sobre o ocorrido.

Quando o relógio marcou o horário combinado, seguimos viagem. Eu pensei que finalmente a aventura tivesse acabado, mas eu estava enganado. Lembra que eu falei sobre ser perigoso o trecho dessa viagem? Meu tio conseguiu evitar, duas vezes, chocar o carro contra caminhões tentando ultrapassagem. Mais adiante, vimos um corpo jogado no acostamento da rodovia, tinha acontecido um acidente recente envolvendo um caminhão e uma moto...


Cinco horas da manhã: nos aproximamos de São Miguel do Guamá, o trecho mais perigoso. Antes de passar pela ponte, eu e o meu tio avistamos quatro homens no acostamento, dois homens em cada moto... Não falei nada, justamente pra não assustar minha tia e avó, mas o meu tio entendeu a minha preocupação ao ver que fiquei olhando o retrovisor. Para nosso desespero, avistamos faróis atrás do carro, meu tio acelerou e eu fiquei pensando no que aconteceria, caso eles conseguissem nos alcançar. Não sei dizer se realmente eram as motos, poderia ser um carro, mas na dúvida, foi melhor fazer o ponteiro marcar 120 km/h. Depois disso, lembro que fiquei olhando a pista e imaginando várias coisas.


Foi quando finalmente eu vi clarear no horizonte, aí consegui ficar aliviado. Mais uma vez uma música tocou em minha cabeça, “Stairway To Heaven” do Led Zeppelin, mas novamente foi algo involuntário. Sei que nunca vou esquecer esta cena: o amanhecer na estrada, tocando tal música em minha mente e a sensação de ter sobrevivido. Isso geralmente acontece em finais de filmes de terror, onde a aventura e o desespero acabam com a chegada do dia. Irei tirar algum aprendizado desse ocorrido, também é mais um acontecimento para minha lista de acontecimentos estranhos.
Essa viagem foi um filme de terror, foi um sufoco, mas agora eu estou de volta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Todos os comentários serão lidos e sempre que possível respondidos.