quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Vida de Balconista: Será Que o Cliente Tem Sempre a Razão?

CaraComRaiva-blog

Será mesmo que essa de que “o cliente tem sempre a razão” realmente vale de algo? Isso só é válido para dois tipos de pessoas: o cliente e o dono do negócio.

Nada é mais frustrante do que acordar e saber que é mais um dia… mais um dia em que você será obrigado a suportar pessoas mal-educadas. Antes de tudo, todos nós sabemos o quanto é difícil trabalhar com o público, ainda mais se for na área comercial e de contato direto. É claro que agradeço por estar trabalhando, afinal, poderia estar desempregado, sem dinheiro… Bom, faz pouco tempo que me mudei (mesmo que temporariamente) para Vitória, Espírito Santo, mas sou de Belém, Pará. Vim para Vitória com o intuito de ficar perto da minha namorada, que é capixaba, e para permanecer perto dela, tive que arrumar um emprego para poder me manter nesta cidade.

O primeiro trabalho que arrumei, foi em uma esfirreria que existe na Rua da Lama, o point da galera jovem de Jardim da Penha, o bairro onde resido atualmente. Apesar de resumidas, encontrei algumas informações neste site.

Gosto desse bairro, aqui é tudo organizado e bastante arborizado. Geralmente encontro o que procuro em JP, sem que seja preciso me deslocar para lugares distantes, como ir até o centro (é, eu sou um pouquinho preguiçoso). Mas sobre JP e outros lugares, fica para uma próxima postagem.

Foi com o trabalho na esfirreria que eu consegui bater um recorde em minha vida: o de permanência mais curta em um trabalho, pois eu trabalhei somente um dia. É sério, apenas um dia. Tudo isso pelo fato de que me esforcei demais, muito mais do que devia, em pleno domingo… domingo esse em que o movimento de clientes vorazes e loucos por esfirras, era grande. Mas, desta vez, a culpa foi realmente minha, pois não descansei quando deveria descansar, abusando da minha coluna ao carregar mesas e cadeiras pesadas.

lombalgia

E o resultado disso tudo? No outro dia, ao acordar, senti que não conseguia levantar… quando minha namorada me ajudou, senti uma das piores dores que senti na vida! Fiquei “entrevado” na cama, pois tive uma lombalgia. Bom, esse é outro fato que contarei com maiores detalhes um outro dia,

Depois da minha recuperação, arrumei trabalho próximo de casa, praticamente no mesmo quarteirão. Hoje em dia trabalho em uma videolocadora bastante conhecida aqui no Espírito Santo, que nem preciso citar; afinal, todo capixaba sabe de que videolocadora estou falando. Já trabalhei no ramo, como mencionei no meu “perfil” aqui do blog… preciso até atualizar o meu perfil do blog, já que voltei a trabalhar novamente em videolocadora (será esse o meu destino? NOOOOOOOOO!). O fato é que eu já tenho experiência com o tipo de cliente que freqüenta videolocadora, justamente por ter trabalhado antes no ramo, mas isso não muda o fato de que esse tipo específico de cliente, são um dos mais temíveis.

Agente Smith

A sensação que tenho quando saio de casa e estou indo para o trabalho, é de que estou indo para a guerra! Você acha que estou exagerando? Não, não estou. Eu trabalho todos os dias, pois a videolocadora não fecha nunca, nem mesmo durante os feriados. Não interessa se é Finados ou se é Natal, ela está sempre aberta para você, chato de plantão (um recado “carinhoso” para algum cliente chato que tenha tido o desprazer de encontrar este artigo), ter o que fazer da sua vida sem graça. 

De segunda à sábado, meu expediente é de 15h00 às 23h00; e aos domingos e feriados, de 14h00 às 22h00. Uma jornada de trabalho normal, pois tenho uma hora de intervalo e folgo um dia durante a semana. Geralmente os piores dias são: sexta-feira, sábado e domingo (e não importa em que dia caia o feriado, é sempre uma mer*%a), pois é quando aparecem os piores clientes: os mal-educados.

Para não ser injusto, vale lembrar que boa parte dos capixabas que conheço, são legais, mais ainda, os que moram no interior do estado; tenho amizade com alguns clientes que eu realmente faço questão de atender, pois merecem um bom atendimento, já que são civilizados. Essa conversa de que “o cliente tem sempre a razão”, somente para os que realmente são civilizados, pois vários, deveriam morar em estábulos.

No banco, no supermercado e até na no ponto de ônibus, você deve obedecer uma fila, como todo ser normal; mas onde eu trabalho, elas esquecem essa e várias regras básicas: é gente que “fura fila” para ser atendida na frente dos outros, é gente que te interrompe durante o atendimento à outra pessoa… eu poderia fazer uma lista de absurdos. Quem já trabalhou ou trabalha em videolocadora, sabe do que estou falando. E como eu disse, não é exagero. Além da falta de educação, ainda existe a falta de bom senso, eu escuto freqüentemente essas pérolas:

“Não gostei do filme, ainda vou ter que pagar caro nele”.

“Não gostei do filme, ainda vou ter que pagar multa nele, só pelo fato de que esqueci de devolver no dia. É muita sacanagem!”.

“Não tem como aliviar a multa, não? É que eu esqueci de devolver no dia, e olha que esse filme nem é lá essas coisas…”.

Na boa, alguém me explica o que esse povo come no café da manhã? Só em videolocadora, pois eu não consigo imaginar alguém tendo essa pachorra, por exemplo, ao sair do cinema e dizer: “Bom, eu achei esse filme do Wolverine uma porcaria! Não tem como você devolver o valor do ingresso?", caso isso realmente fosse possível, eu teria pedido o meu dinheiro de volta quando assisti o filme do Wolverine (e esse filme sim, é uma porcaria!). As pessoas esquecem que pagam pela locação do filme, e não pelo filme. O problema é da pessoa se ela esqueceu de devolver o filme, se ela não assistiu ou se não gostou.

Axl Rose

Você achou que as pérolas tinham acabado? Que nada, ainda tem mais:

“Como assim eu vou ter que pagar essa multa? Eu só atrasei uns dias e vou ter que pagar esse valor? Isso é um absurdo!”.

“Deu tudo isso? Olha, eu não quero saber se estou errado ou não, o problema não é dinheiro, eu pago o que tiver de pagar… Eu só acho um absurdo ter que pagar essa multa”.

“Eu não vou pagar multa em um filme desse aí, que por sinal, já é velho!”.

“Eu não vou pagar!”.

“Você não pode me dar um desconto?”, aí você vai lá, na boa vontade e cancela duas diárias e a pessoa acha que você foi injusto e diz: “Só vinte reais de desconto?!”.

O curioso aqui, é que quando a pessoa faz o cadastro, ela está ciente de que é cobrada multa em caso de atraso. Não interessa se o filme é velho, ela não se deslocou até a videolocadora para levá-lo para casa? Então, eis um sinal de que o filme é locado. Alguns clientes fazem o que fazem, pois o funcionário não pode responder de forma sincera, eles sabem disso, pois caso pudessem…

Outra coisa que realmente enche o saco, é que algumas pessoas são tão indecisas, que sempre precisam da opinião alheia para escolher algo. Acho que algumas pessoas entram na videolocadora por engano, só pode. Eu não sei, mas até onde sei, sou apenas um humilde balconista, não um crítico de cinema que escreve em alguma coluna de jornal. Indicar um filme, até aí, okay; mas adivinhar filmes e acertar o gosto da pessoa, isso já é demais. O pior é que a falta de bom senso uma vez mais se faz presente neste caso:

“Você poderia me indicar um filme? Ó, deixa eu explicar: eu quero um filme de terror, que não seja assim… sei lá, muito pesado, que não tenha muita morte, que não tenha muito sangue, mas que seja bom e que crianças possam assistir”, na boa, não existe filme de terror para criança… loca “Crepúsculo”, p*%a!

“Amigão, eu quero que você me indique um filme de ‘suspense’, mas tem que ser um filme muito bom!”.

“Moço, num tem nenhum filme legal, não? Sei lá, eu não encontrando nenhum que preste”, isso sim é um absurdo! Onde trabalho, tem mais de vinte mil filmes no acervo.

“Eu quero um filme com uma boa história, pois eu não quero dormir”.

“Esse filme aqui que você me indica? Poxa, mas ele é em ‘preto e branco’… não deve ser bom”.

“Não gostei de ‘A Origem’, é uma viagem esse filme”.

As pessoas acham que pelo fato de você trabalhar em uma videolocadora, isso significa que você esteja apto a indicar bons filmes, afinal, se você trabalha em uma videolocadora, a primeira coisa que alguém que não se dá o trabalho de pensar, é que você sabe tudo de todos os filmes que ali existem. Não, não é assim.

Agente Smith na videolocadora

Quem trabalha em videolocadora, não é obrigado a assistir um número grande de filmes, apesar de ter que estar atualizado, mas não é obrigatório; e mais, as pessoas esquecem que tenho as minhas folgas.

E não é na minha folga que irei deixar de fazer o que quero fazer, simplesmente para assistir todos os filmes que eu puder, somente para indicar ao cliente. Sejamos realistas, isso jamais irá acontecer.

Outra coisa que acontece e muito, é com relação ao horário de funcionamento da videolocadora, que muitos acabam por “esquecer”:

“Eu tentei entregar esse filme ontem, passei pela manhã aqui, mas estava tudo fechado”.

“Eu não sabia que iria abrir durante o feriado”.

“No domingo fecha às 22h00? Eu imaginei que fosse às 23h00…”.

“Segunda-feira fecha às 23h00? Eu imaginei que fechasse somente à meia-noite”, e eu não tenho vida, é isso?

Não é intolerância, eles sabem exatamente o horário em que abre e fecha a videolocadora, justamente pelo fato de que, quando querem locar filme, estão de prontidão antes do estabelecimento abrir as portas. E ainda existem cartazes fora da videolocadora com os horários, uma placa luminosa imensa e ainda levam uma notinha com os horários e o dia da devolução dos filmes anotados.

Acho que por hoje já chega, não é? Antes que faça um julgamento errado da minha pessoa, vale lembrar que a função do meu trabalho é a de atender, e de atender bem, por sinal. Eu não saio de casa com a intenção de zoar esse ou aquele cliente, por pura diversão, longe disso. Quando topo com clientes conhecidos, que sabem se portar, são educados, com certeza sinto prazer em atender. Totalmente diferente se você é um cliente chato e só está aqui neste planeta para encher o saco. Pode ter certeza que, em uma videolocadora e em outro lugar no qual você seja mal-educado, as pessoas te acham desprezível. Chego a pensar que, a vida de um indivíduo assim, é tão vazia, que a única forma de preencher tal vazio é dando uma de todo poderoso em qualquer estabelecimento que vá. Se você é assim, saiba que as pessoas sentem vontade de socar a sua cara.

Soco na fuça

Vale lembrar que eu não detesto o meu trabalho, detesto algumas situações. O trabalho dignifica o homem, e o mais importante: me ajuda a comprar comida e manter a barriga cheia, além dos quadrinhos que coleciono. O mais importante é que dessa forma consigo ficar perto da minha namorada.

E vocês acham que acabou? Em outra postagem, comentarei mais sobre a aventura que é ser balconista de uma videolocadora.

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