domingo, 10 de janeiro de 2010

Tex: Patagônia


Em dezembro de 2009 eu comprei uma edição gigante de Tex, H.Q italiano de faroeste. Fazia tempo que não consumia esse tipo de gênero nos quadrinhos, acho que uns quatro anos. Não sou fã do personagem Tex e sua revista, prefiro Ken Parker, mas já li um número razoável de revistas Tex. Fazia tempo também que eu não encontrava uma história com um conteúdo tão rico, com uma pesquisa aprofundada.
Nessa edição, Tex vai com o seu filho Kit (filho dele com uma índia da tribo Navajo, da qual é reconhecido como cacique) à Patagônia, na Argentina. Tex é convidado por um antigo amigo de aventuras (no Oeste americano), o argentino Ricardo Mendoza, que agora faz parte do exército e está no comando de missões na famosa “la Conquista del Desierto” .


Como Tex conseguiu a prosperidade da nação Navajo no Oeste americano, se tornando o cacique deles (chamado de águia da noite pelos índios da tribo), Mendoza pede auxílio ao velho amigo diante da situação em que se encontra a Argentina (que está em guerra contra as várias tribos araucanas da região).

Outro detalhe, é que eu tinha pouquíssimo conhecimento sobre esse fato histórico, confesso que ainda irei pesquisar mais sobre o assunto. Quadrinhos não é apenas sobre um cara que voa vestindo uma cueca vermelha por cima da calça e que usa capa... pode ser uma fonte de informação e entretenimento. A pesquisa feita por Renato Genovese mostra o quanto deve ter dado trabalho para produzir essa edição de Tex, já que o material relacionado ao assunto é escasso. Mesmo assim, Genovese consegue uma perfeita introdução antes que você comece a aventura de Tex.


A idéia surgiu quando Sergio Bonelli (patriarca dos quadrinhos italianos, conhecidos como fumetii na Itália) fez uma viagem com um amigo em 1984, de Campo Grande (MS) à Patagônia. Conhecendo os famosos Pampas, as intermináveis planícies argentinas, Bonelli imaginou o conflito no período de colonização daquele lugar, os índios com nomes de tribos desconhecidas (Ranqueles, Pehuenches, Puelches, Tehuelches e outros). Observou que conhecia bastante sobre a epopéia da Fronteira norte-americana, mas nada sobre a chegada dos europeus e os conflitos com os nativos dessa região.

“E, em 1984, as livrarias de Buenos Aires não foram de grande ajuda: em dias e dias de buscas, eu me dei conta de que os autores argentinos pareciam querer esquecer os dramáticos acontecimentos que levaram à completa destruição da população indígena. Mal deu para conseguir quatro livretos e um livrão que, com suas imagens e datas (coincidentes com importantes fatos das guerras indígenas ocorridas no Montana ou no Arizona), me deram a idéia de mandar o nosso Tex a uma longa viagem e, principalmente, envolvê-lo num doloroso e autêntico genocídio.”, palavras do próprio Bonelli.


Continuando... Tex ganha patente militar de Mendoza e tem a missão de comandar os batedores gaúchos (equivalente aos caubóis e vaqueiros) contra os guerreiros de Calfucurá, o cacique dos Tehuelches. E por falar nisso, a história começa com um ataque de Calfucurá e seus guerreiros contra o posto fortificado de Belgrano. Calfucurá realmente existiu, os soldados argentinos ficavam em pânico com o fato de ouvir esse nome, pois ele era conhecido por nunca recuar em um ataque com os seus temidos guerreiros.


O roteiro de Mauro Boselli e a arte surpreendente de Pasquale Frisenda fazem com que você absorva intensamente as informações, não se tornando uma atividade chata. Confesso que só demorei pra ler as 242 páginas, por conta de outras atividades que eu não poderia ignorar. Apesar do preço salgado da revista (R$ 19,90), digo que é um preço justo, bastou pra me deixar intrigado e querer saber mais sobre tais fatos. Você pode até não ser fã do gênero Faroeste (muito menos leitor(a) de quadrinhos), mas eu recomendo.

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